#PraCegoVer é lei e garante a inclusão para deficientes visuais

#PraCegoVer é lei e garante a inclusão para deficientes visuais

Objetivo é fazer com que as pessoas com deficiência visual consigam compreender a imagem por meio da audiodescrição

A Prefeitura de Itapeva tornou obrigatório o uso da hashtag #PraCegoVer em todas as publicações com fotos divulgadas tanto no site, quanto nas redes sociais oficiais do Executivo, por meio da Lei 4.566, de 17 de setembro de 2021, de autoria da vereadora Débora Marcondes.

Esta hasthag, ou palavra chave, já é usada em outras cidades e tem por objetivo fazer com que pessoas com deficiência visual consigam compreender a imagem por meio da audiodescrição.

Conforme a lei, a descrição deverá ser feita da esquerda para direita, de cima para baixo, seguindo a ordem natural de leitura e escrita usadas no ocidente. Informações sobre cores e elementos da foto deverão estar presentes criando uma sequência lógica para quem está ouvindo. A orientação é sempre considerar os princípios da audiodescrição para produzir as legendas.

A lei que passou a vigorar no mês passado, determina que as imagens sejam descritas sem nenhum julgamento ou opinião.

“Pra cego Ver” é um projeto criado em 2012 pela professora baiana Patrícia Braille. #PraCegover é um trocadilho. Como esta hashtag tem uma função educativa e inclusiva, ela se refere aos videntes que não enxergam o cego e nunca se dão conta de que pessoas com deficiência visual usam redes sociais. Ela existe para impactar, para despertar o olhar de quem lê e se pergunta: “Ué, pra que raios esta descrição está aqui?”. Então vai pesquisar mais um pouco e… ! Mais um vidente deixou de ser “cego”. Existe, principalmente, para o cego ou pessoa com deficiência visual/baixa visão que, pela falta de acessibilidade, não podia apreciar as imagens publicadas.

A descrição não faz a pessoa cega literalmente enxergar. É, mais uma vez, um jogo de palavras, um empréstimo da palavra “ver” no sentido de “ter acesso” a algo. Ouvir uma descrição não substitui a visão. Nem mesmo o tato, como muitos acreditam, seria capaz de substituir o ato de enxergar, na exata medida em que os olhos o fazem.

“Os cegos não se ofendem com a expressão #PraCegoVer. A palavra “cego” não é pejorativa. É a correta, a usual. Geralmente, quem acha estranho não convive com pessoas que têm deficiência visual. Os cegos se ofendem, de verdade, com a ausência de acessibilidade”, contou Guilherme Mota, cego e membro do Conselho da Pessoa com Deficiência.

#PraCegoVer: No vídeo aparece Guilherme Mota, cego e membro do Conselho da Pessoa com Deficiência, que está sentado, com o celular em mãos, usando uma camisa polo vermelha e máscara preta. Ele tem à sua frente uma mesa, a qual possui um computador.